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O tratamento como estratégia de prevenção: segundo o presidente da IAS, existe evidência suficiente para afirmar que funciona
Keith Alcorn, Thursday, August 07, 2008
Enquanto os especialistas ainda estão a “digerir” a recente declaração sobre a ausência de risco de transmissão do VIH nos heterossexuais que se encontram numa relação monogâmica e com carga viral indetectável, verificou-se durante a Conferência Internacional sobre SIDA, um consenso alargado sobre o facto de que o alargamento do tratamento anti-retroviral a um maior número de pessoas pode reduzir o número de novas infecções.
“Estamos numa corrida desesperada para encontrar um meio de prevenção que funcione”, afirmou o ex-embaixador das Nações Unidas sobre SIDA, Stephen Lewis. Este orador referia-se à necessidade de novas intervenções, perante os resultados decepcionantes dos recentes ensaios de vacinas e microbicidas, em conjunto com a necessidade, desde há muito tempo, de uma intervenção estruturada comportamental de prevenção que se traduza na redução da prevalência do VIH a nível populacional.
Os modelos matemáticos que postulam um potencial efeito do alargamento dos tratamentos na prevenção, têm galvanizado o interesse dos participantes na conferência. Estes modelos integram ainda o papel das pessoas infectadas e não diagnosticadas na transmissão da infecção, a tendência para o inicio mais precoce da terapêutica, tudo isto em resultado das recentes recomendações terapêuticas emitidas nos EUA e na Europa e de uma informação mais detalhada sobre os efeitos dos medicamentos anti-retrovirais sobre o vírus ao nível tracto genital.
“Acreditamos que existe evidência suficiente para que possamos dizer aos políticos que, se estes não excluírem a possibilidade de uma cobertura de tratamento de 100%, poderão ver uma redução na transmissão do VIH,” disse o Professor Julio Montaner, o próximo presidente da Sociedade Internacional de SIDA, a entidade organizadora da Conferência Internacional de SIDA.
Mas a mudança para a visão do tratamento como uma estratégia de prevenção não deve ser vista como uma medida desesperada, afirmou o Professor Myron Cohen; “a declaração de Julio Montaner baseia-se num enorme conhecimento cientifico.”
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