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Aids
Laura Diniz
"Eu faria tudo de novo." A frase costuma arrematar trajetórias de vidas marcadas por grandes vitórias, mas, no caso de Américo Nunes Neto, de 47 anos, surpreende: é uma referência à sua infecção pelo vÃrus da AIDS, em 1987, aos 26 anos. "A AIDS veio positiva na minha vida em dois sentidos: na sorologia e porque me tornei uma pessoa melhor, passei a me preocupar e ser útil para os outros."
Fundador e coordenador de projetos da ONG Vida Nova e ex-presidente do Fórum ONG/AIDS do Estado de São Paulo, Nunes é saudável e vive há 20 anos com um companheiro, também infectado. Fala da doença com a tranqüilidade de quem nunca sofreu por causa dela. Começou a tomar o coquetel antiAids em 1997, quando exames apontaram sinais de queda de imunidade. Desde então, teve acesso aos melhores medicamentos por meio do SUS, o que impediu a manifestação da doença.
"No fim dos anos 80, o Brasil tomou a decisão polÃtica de dar remédio para todo mundo que precisa. A lei veio em 1996 para assegurar isso. É um bom exemplo de acesso universal à saúde, preconizado pela Constituição", afirma o médico Mário Scheffer, diretor do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. "Virou polÃtica de Estado, não de governo, como deveria acontecer com tudo na saúde."
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