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Montagnier espera que prêmio sirva de estímulo à pesquisa na França
Andrei Netto
O Prêmio Nobel de Medicina concedido ontem aos dois pesquisadores franceses pelo Instituto Karolinska, de Estocolmo, na Suécia, não é a coroação de estudiosos em fim de carreira. Pelo contrário. Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi estavam, respectivamente, na África e na Ásia, discutindo e disseminando informações sobre a AIDS e o vírus que descobriram, o HIV.
Ao longo do dia, jornalistas de todo o mundo tentaram contatá-los, em vão. Françoise, pesquisadora do Instituto Pasteur, o mais importante da França, só foi localizada no Camboja por uma agência de notícias e falou breves instantes. "É uma grande surpresa para mim", disse, ressaltando que desde 1983 dedica "inteiramente a carreira à pesquisa sobre o vírus". Ao Estado, funcionários do Instituto Pasteur se disseram "ansiosos" por não terem podido encontrá-la até o final da tarde. "Para mim é uma grande honra ter feito parte das pesquisas originais", disse Marie-Thérèse Nugeyre, ainda hoje ligada à instituição.
Era noite em Abdjan, na Costa do Marfim, quando Luc Montagnier foi localizado pela emissora de TV pública France 2 para comentar a conquista. "Neste momento, quando a descoberta completa 25 anos, penso em todas as pessoas que nos ajudaram na pesquisa", disse o estudioso, rendendo homenagem também à equipe norte-americana de Robert Gallo, diretor do Instituto de Virologia Humana da UniverSIDAde de Maryland e pivô da controvérsia sobre a autoria da descoberta. "Não estivemos sós. Alguns meses depois, nossos colegas norte-americanos descobriram como o vírus se desenvolvia."
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